Decidiu juntar as escovas de dente?

     Todo relacionamento precisa de cuidados, e com o casamento não é diferente. Decidir juntar as escovas de dente é a primeira ação de um pacote de responsabilidades e tarefas que vêm junto com o casamento. O primeiro ano é uma fase de conhecimento mútuo e descobertas. “É uma adaptação e de criação de autonomia, em especial quando um deles ou ambos acabaram de sair da casa dos pais. Terão que aprender a administrar uma casa com todas as suas tarefas e obrigações, tanto financeiras quanto práticas: fazer comida, cuidar da roupa, pagar contas, limpar a casa, ou até mesmo administrar uma empregada”, avalia a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em Psicodrama Terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae.

     A pergunta é: como fazer para sobreviver ao primeiro ano morando juntos? Para a terapeuta de casal, a primeira coisa é ter em mente que nenhum relacionamento é perfeito. “Não querer mudar o outro e aceitar as diferenças e respeitá-las é um bom começo. Os dois devem conversar sobre o que incomoda assim que perceber esse sentimento. Não guardar mágoas e falar com o parceiro sem acusá-lo faz diferença”, aconselha Vasconcellos, dando a dica de como deve ser a conversa: ”Fale de preferência na primeira pessoa. Ao invés de dizer: ‘Você deixa tudo bagunçado, é irritante!’, trocar por: ‘Fico bastante incomodada com essa bagunça, como podemos fazer para resolver isso?’ Desse modo, você deixa de agredir ou acusar o outro e mostra o quanto as atitudes dele a influenciam; ter paciência e estar aberto para conhecer o outro de verdade, inclusive em suas fragilidades”, explica Marina.

     Outra dica é manter o diálogo aberto. “Conversar, conversar e conversar sempre sobre tudo: dinheiro, trabalho, família, frustrações, sexo. Porém, saber o momento certo para isso: nunca inicie uma conversa sabendo que não haverá tempo suficiente para levá-la até o fim, ou quando um não está disposto e se nega a falar”, orienta Vasconcellos, inclusive quando a família interfere na relação do casal. “Essa é uma questão bastante delicada, muitas vezes de difícil manejo. É preciso criar o espaço do casal, onde a família de origem não interfira. Paralelamente, a convivência com a própria família e a do cônjuge será necessária, pois não se cortam esses vínculos após o casamento.

      Quando a família é saudável e os membros se respeitam, não há problemas, e o ‘agregados’ passam a fazer parte dela naturalmente. Almoços de domingo, viagens de família, datas comemorativas: tudo é passível de negociações. Precisa haver o respeito pela família do companheiro e, quando ela é problemática e percebe-se que o melhor a fazer é distanciar-se, não dá para fingir que nada está acontecendo, sendo necessário conversar sobre isso para juntos decidirem como agir”, aponta a psicóloga. Para tornar as diferenças positivas ao relacionamento, a especialista considera que através do feedback do parceiro podemos ter a noção de como estamos agindo na vida, ficando a nosso critério mudar certas coisas ou não. “O relacionamento a dois é uma das melhores formas de crescimento pessoal.

      A riqueza de um relacionamento está no aprendizado que cada um tem para oferecer ao outro e quando aprendemos com a diferença. Por exemplo: o ‘falante e extrovertido’ aprende a se controlar um pouco mais em ocasiões que não deveria se expor tanto, a partir da observação do tímido. Dessa forma, evoluímos”, finaliza.

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